Ano Novo?

Izana Pereira

Hoje é o último dia de um mês. Apesar disso já ter acontecido outras 11 vezes nesse ano a expectativa da maioria é enorme.  Comigo não acontece isso; podem dizer que amo ser ‘do contra’, mas talvez nem seja por isso.

É que eu não prometo mudar para o próximo ano. Minhas mudanças ocorrem quando acho necessário, ontem, hoje e só deixo pra amanhã se hoje for impossível.

Minha insônia provavelmente vai continuar em 2012, pelo menos até que eu vá ao médico – não posso mais dar a desculpa do fim do ano, tenho que ir, aff. Mas foi a minha insônia, a última de 2011, que me provocou essas reflexões.

Fiquei pensando qual deve ser o motivo pra tanta expectativa por um novo ano. Pensei então em várias possibilidades:

O salário vai aumentar a partir do dia 1º. Poxa, boa razão pra comemorar.

Mas os preços dos alimentos vão subir, o valor do transporte coletivo vai subir, água, internet, energia, tudo vai subir. E ainda tem os impostos, IPTU, IPVA (não tenho carro). E eu vou continuar quase sem dinheiro pra pagar as minhas contas.

A vinheta de fim de ano da Globo vai acabar.

Essa razão é boa não agüento mais o Roberto cantando essa música.

A gente precisa comprar roupa pra passar o Réveillon, claro.

Minha gaveta ta cheia, mas se eu não comprasse uma roupa específica, não teria nada pra vestir hoje a noite.

A verdade é que amanhã já é 2012, mas pouca coisa vai mudar. Meu vizinho vai continuar com o som alto quase todos os dias. Tá, pode ser que ele não escute o CD de César Mennoti e Fabiano 5 vezes seguidas como fez ontem, mas outros CDs virão.

O povo vai passar na rua gritando “Kékeisso?” porque, acredite, é o nome de um dançarino de pagode.

E todas as manhãs quando eu pegar um ônibus ou uma van vai ter um DJ “animando” o meu dia.

Mas o que a gente precisa mesmo é pensar que tudo vai mudar. Manter a esperança de que tudo pode ser melhor. Ainda que 15 dias após (ou até menos) a vida volte ao normal e as promessas feitas para o novo ano sejam esquecidas.

E daqui a pouco ta todo mundo dizendo: “Nossa esse ano passou rápido”. Todo ano é assim, deve ser pra justificar que não deu tempo cumprir todas aquelas promessas feitas no início do ano. E em 2013 a ciranda continua. Isso se o mundo não acabar.

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