À Espera dos Lírios

Por Izana Pereira

Não tenho mais o brilho nos olhos de quando te conheci. Não tenho mais paz, a paz de estar contigo. No espelho me vejo e não me reconheço. A esperança hoje dá lugar a angustia, e carrego no peito a dor da tua perda. Ando pela praia como costumávamos fazer, mas as tardes agora são tristes; sem você tudo é triste, frio e sem graça.
Os dias são longos e tudo me lembra você: às 18h, ainda me pegam no portão a tua espera, mas você não chega; o vazio no quarto aumenta a falta da tua companhia e me lembra os doces momentos que passamos juntos.
Tudo que eu amava hoje me faz sofrer; olho as flores e sinto tão forte a tua presença, tão intenso era o perfume dos lírios que me dava como pedido de desculpa – após as nossas brigas eles estavam lá, quase sempre acompanhados de um bom vinho e um bilhete onde pedia perdão.

Não consigo mais viver, não posso mais dormir, pois os fantasmas da tua morte rondam a todo o momento o meu ser. Ando a sombra da culpa pela sua perda, e as imagens daquele oito de dezembro não saem mais de mim. O teu ciúme, a nossa discussão, a tua saída de carro, tenso, nervoso; e depois o telefonema que mudaria a minha vida, me dizendo que eu tinha perdido a tua.
Existem momentos que não acredito que te perdi, existem momentos que ainda estou à espera dos lírios, mas quando me dou conta de que tua perda é real, desejo estar entre os lírios, para poder enfim estar novamente perto de ti.

Diário de Marcela Costa, 20 de outubro de 2005.

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